A manhã de uma mulher elegante

Por Thais Rocholi

Uma caricatura crítica sobre como é imaginada a elegância.

O carrilhão do meu relógio de pêndulo bate sete vezes: é hora de abrir meus olhos. Nada mal, apesar de que  meus lençóis de algodão feito em cashmere estavam começando a me deixar mais quentinha. Preciso levantar! Devagar abro os meus olhos. De lado, coloco meus pés em meu tapete persa e calço meus chinelos de veludo. Viro o pescoço devagar para o lado direito, espero 30 segundos, viro, então, para o lado esquerdo. Abro os braços e alongo meu pescoço. Hora de dar meus passos até meu closed para pegar meu robe de seda chinesa. Lavo meu rosto e dou uma batidinha em minha cútis, olho para o retrato da Audrey Hepburn que fica ao lado da minha cama e beijo. A rainha das mulheres elegantes sendo  cumprimentada como merece ser. Então, pego meus cremes anti-idade La Prairie e faço meu ritual de beleza, deixo entrar na derme e depois na epiderme, minha pele fresca respira!

Joana, minha criada, certamente, está em seus aposentos. A preguiçosa deve ter ouvido meus gritos, mas nada importa, eu grito mais ainda para ela vir correndo. “JOAAANA, JOAAAAAAAAAANA!” O que a senhora deseja, madame? – respondeu ela com a cabeça para fora. Ela abre a cortina cetim shantung do meu quarto. Meu Deus, a luz reflete em meus móveis de carvalho com dourado e me deixa cega! Apesar das minhas afrontas, ela traz meu café da manhã: torradas integrais fininhas com geleia de caviar e champanhe, porque eu tomo champanhe todo dia no café da manhã!

São 9 horas e 13 minutos. Fico totalmente nervosa! Joana não colocou as louças posicionadas da maneira correta na bandeja que levou para a mesa de cerejeira do meu quarto! Decididamente, estou muito mal com minhas empregadas. Todas incompetentes. Nem me pergunte o nome delas que eu não lembro. Meu motorista é muito preguiçoso, até mandei embora o imprestável que deveria me agradecer por dar a ele a chance de ser civilizado e dirigir minha Rolls-Royce Sweptail e ainda viver de graça em minha mansão.  

10 horas e 40 minutos. Para colocar minha raiva para fora, coloquei uma música de Bernard Herrmann em meu gramofone que ecoa em todo o ambiente da minha sala de jantar estilo vitoriano. Me regenerei! Adoro Woody Allen, penso em nutrir meu intelecto de  anti-semitismo vendo um de seus filmes. Que homem maravilhoso! Eu, imediatamente, dou instrução à Joana que traga o último livro dele publicado que se encontra na prateleira número 10 da minha biblioteca.   

12 horas. Subo para meu quarto para me vestir, entro em meu closed com paredes revestidas de mogno para me livrar de meu robe de seda chinesa com motivos florais. Num frenesi que não consigo controlar, vou jogando meus vestidos em minha cama. Como não tinha ninguém mais lá para vê-los jogados na cama, ordeno à Joana que guarde rápido os que não irei usar. Enquanto isso, coloquei o mais chique comprado na Itália na última viagem, o da Prada para marcar minhas curvas, de cor preto, com meu perfume Candy também da Prada e meu lenço da Chanel, acho que combina com meus sapatos Gucci para ir almoçar na mansão ao lado com meus vizinhos.

13 horas e 40 minutos. Como eu já esperava, três pessoas se juntaram a mim. De repente, que horror! Vejo uma mulher vestida de blusa de listras perto de mim. Que brega! Fiquei com tiques nervosos batendo meus pezinhos! Chorei a tarde toda!

De pessoas como essas, devemos fugir! Seja discreto! Viva a elegância!

ECO-DESIGN VEIO PARA FICAR

Não há como não considerar que os recursos naturais são indispensáveis  para nossa existência. O esgotamento deveria nos fazer mais conscientes quanto às questões ambientais, mas há muitas disputas políticas mediante às  riquezas naturais.

Há críticas que podem ser atribuídas no âmbito da convergência existente  entre o marketing e o desenvolvimento sustentável. O marketing tem origem numa visão liberal de mercado, o que muitas vezes corre na contramão das soluções oferecidas pelo desenvolvimento sustentável, cujos objetivos principais são limitar o consumo para proteger e economizar os recursos do planeta. O marketing tem como papel orientar o consumidor para uma marca ou um produto, já o desenvolvimento sustentável requer um esforço frente a uma educação significativa.

Quanto a isso, é melhor não ser tão pessimista e destrutiva, reagindo à falta de lógica dessas ações. Adotar a ideia do Eco-design é, sem sombra de dúvidas, um passo  muito interessante para se fortalecer no mercado. Este conceito tem sido aceito, pois ressalta os requisitos empresariais, no campo da rentabilidade aliada à visão de desenvolvimento sustentável. Embora não seja nosso papel reformar o sistema econômico global, mas se fizermos no local que vivemos, já é uma iniciativa.

O Eco-design faz uma reflexão em cima dos impactos ambientais causados pelo design de um produto. O propósito é a adoção de uma estratégia de economia circular, para que o resultado das  etapas do ciclo de vida de um produto passem pela extração de matérias-primas, produção, distribuição, uso e reciclagem. Portanto, é necessário fazer as seguintes perguntas:

Quais são os impactos ambientais gerados em cada etapa do ciclo?

O produto é reciclável e pode ser reutilizado?

Devemos trocar a matéria-prima do produto para dar uma maior vida útil?

Não estranhe que a abordagem do Eco-design garanta a produção de produtos de consumo de forma responsável com o propósito de gerar benefícios positivos para as empresas.  

No Brasil, algumas empresas usufruem de matérias-primas da terra para produção de embalagem feitas com material orgânico. Como a nossa cultura agrícola é proveniente da mandioca, batata e milho, a Oka Bioembalagens utiliza materiais biocompostáveis à base destes alimentos com fibras naturais, atingindo a criação de recipientes para empresas do setor alimentício, eletrônicos, cosméticos e brindes, sempre preservando seus valores e identidade quanto às estratégias mercadológicas. A tendência é a decomposição e nutrição das embalagens para a terra.

A adoção do Eco-design pelas empresas tem resgatado os temas do desenvolvimento sustentável para que se tenha estratégias mais responsáveis, cuja exigência de mudança profunda e convergente de mentalidades passa a sobressair numa reeducação de nosso comportamento enquanto consumidores.

FOTOGRAFIA E REPRESENTAÇÕES

Por Thais Rocholi

Desde o começo da fotografia, as possibilidades se multiplicaram quanto à sua utilidade, aprimorando, então, as suas técnicas. Com a evolução tecnológica, a fotografia passou a ser objeto de diversas áreas, como a cientifica, de eventos, documental, subaquática, médica, arquitetônica, publicitária, jornalística, artística, arqueológica, de viagens, entre outras. Mas para chegar na tecnologia digital de hoje, evoluiu muito em toda história da fotografia.

Várias são as causas que no momento presente atuam como uma  avalanche de informação na vida das pessoas. A globalização, a web 3.0, o avanço tecnológico e a popularização de mídias sociais e aplicativos, nem preciso dizer que isso é o que tem influenciado a forma como percebemos e compreendemos a linguagem e o mundo que nos cerca.

A fotografia é a arte de desenhar com a luz, pois sem claridade, não teríamos foto, o resultado seria o preto. Deste modo, quando se faz uma foto, a técnica da fotografia passa por uma exposição luminosa que fixa a imagem em uma superfície sensível.

Há várias histórias sobre a criação da fotografia, já se mencionou Louis Daguerre como o inventor. Outros teóricos dizem que foi Joseph Nicephore Niepce. Mas, na verdade, a invenção da fotografia não se deu por apenas uma pessoa, mas por vários autores que fizeram um trabalho em parceria ou paralelamente em diferentes locais do mundo  durante muitos anos.

Se observarmos ao nosso redor de um modo rápido,  podemos ver a presença e a influência das imagens na sociedade atual. Debray nos leva a refletir que “aquilo pelo qual vemos o mundo, constrói simultaneamente o mundo e o sujeito que o percebe”. Dito isso, vemos que a própria identidade da maioria das pessoas depende de uma comprovação por meio da sua imagem representada num retrato ou numa fotografia, o que a faz se perceber como uma imagem que é mais importante do que se realmente é.

Como a fotografia não é linguagem verbal, é, portanto, um signo que funciona mediante imagens, gestos, vestuários e ritos, nos últimos 50 anos do século passado, o mundo das imagens passou a ser transmitido e registrado para as próximas gerações, pois tudo passou a ser uma reprodução com tamanha precisão e autenticidade, desde coisas triviais até aquilo que tem muita importância.

Considerando sua popularização em contribuir para memória, principalmente o Jornalismo e a Publicidade se apossaram do uso da imagem visando  levar a comunicação. O mesmo acontece na produção de outros produtos editoriais.

Podemos optar pela realidade numa fotografia quando os signos estão investidos de subjetividade. Nós representamos “algo”, se esse algo foi suficientemente subjetivado para nós. Ao desejar então reconhecer o “valor” da representação, é necessário conhecer o quanto de subjetividade está investido nessa representação, mesmo que esta seja um produto da técnica.

Quanto a isso, entender a maneira e as intenções no processo  de comunicação é um grande desafio, principalmente quando se busca transmitir ideias para sociedade moderna e contemporânea. Quer fazer boas fotos? Basta ver as referências e os contextos de representações.